Pages

14/06/2016

Apetites # 9 - Tasquinha do Fumo

A tasquinha do Fumo é daqueles restaurantes a que costumo chamar de “totalmente anti-dieta”!!!  Bem pode estar certo(a) que vai sair de lá com o fecho das calças a querer ceder um nadinha para a frente…

O caminho de acesso ao restaurante não é dos melhores, e chova ou faça sol, a sua pobre viatura vai sofrer! Estradas de terra batida que fazem as delícias de motoqueiros e aficionados por jipes, que vai tendo o prazer de cumprimentar de longe a longe…, onde vale bem o sacrifício só de saber o manjar que nos espera.

Situada na aldeia de Almofrela (Serra da Aboboreira – Baião) a Tasquinha do Fumo, recebe-nos de sorriso aberto. No pátio, vários comensais, ávidos das iguarias regionais cozinhadas a preceito, e com os vagares de outros tempos, esperam ansiosamente o chamar do seu nome.

E a aventura começa. A rústica casa, dividida em várias salas, permite quase que se coma em privado, mas se conseguir ficar na sala principal, onde fica o forno a lenha, terá a sorte de apreciar o rebuliço dos manjares a crepitar forno fora, nas travessas suadas de sabores indescritíveis…



As entradas vão surgindo sem medo, entre alheira, chouriço, pataniscas de bacalhau, azeitonas, e cebola nova em vinho verde tinto, a casar na perfeição com a melhor broa de milho que alguma vez comi. 

O verde tinto chega sem vergonhas, vertido elegantemente em canecas (ao final da 2ª garrafa talvez comece a acertar mais fora do que dentro…), e pintando de oiro vermelho tudo o que toca (experimente no final da refeição jogar ao jogo do “quem tem os dentes e a língua mais grenat paga a conta!”). Como diria um dos comensais presentes na minha mesa – este vinho substitui qualquer baton!

Depois chega o anho. Suculento, saborosíssimo… duma tenrura de comer à colher… para amantes de anho como eu, é um verdadeiro prazer!


A carne, … belíssima a suar na grelha de chão, de outras andanças.




E quando acha que já não pode mais, vêm as sobremesas, que se vão distribuindo na mesa, calmamente, para que os nossos sentidos se deleitem em segredo, antes do pecado final.

Pêra borrachonas, pão-de-ló e leite-creme. Sobremesas banais, poder-se-ía dizer. Pois é… mas depois de provar, não há lugar à banalidade. Sabores ricos explodem na boca e só nos fazem querer pedir mais uma travessa. Tudo feito à moda antiga, com ovos das pastagens a contribuírem para o feito. Do melhor!




Com o vinho a pesar nas pestanas, o melhor é pedir um café. Mas se está a contar com cápsulas, desengane-se!

O café é preparado demoradamente no carvão da grelha de chão, e servido à mesa, em tacinhas de porcelana.

Quando dá conta está há 3 horas à mesa, e lá se levanta a todo o custo, para uma caminhada pela aldeia, com a desculpa que precisa derreter o que comeu… (lamento informar mas vai levar dias!!!).


Recomendo vivamente a quem apreciar uma refeição bem confeccionada, de reais sabores portugueses, e num ambiente rústico e acolhedor. E reserve! Caso contrário, poderá ter que voltar outro dia!



SHARE:

1 comentário

  1. Já li o suficiente para ficar com água na boca e mais gorda 10 quilos .
    Da mamã nené.��

    ResponderEliminar

© A Ravioli. All rights reserved.

Design by WE BLOG YOU