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06/09/2015

Check in Tenerife - 12 dias 1000 palavras (Crónica # 27)

Viajar custa muito!
Para ter umas merecidas férias, é preciso fazer uma análise previsional de risco e planificar os próximos dias, quase como se do lançamento dum novo projeto ou dum novo produto, se tratasse.
Onde? Como? Quando? Porquê?
Onde?
Onde haja bom tempo, boa comida, belas paisagens, e especialmente onde não nos rebentem com uma bomba em cima! Escolher praia com lojas, cidade com piscina, montanha com animação, ou campo sem televisão é uma questão de gosto, mas tente reunir ao máximo várias tipologias, se não quer que a família ande toda ao estalo ao final de 3 dias, por cada um querer fazer coisas diferentes. Ah, e com crianças à mistura, inclua aqueles parques aquáticos para se banhar num "mar" de estafilococos ou se "borrar" toda de medo nas descidas rápidas, como é o meu caso...

Sinceramente, o que procuro é não ouvir falar português. Uma vez por ano dá-se-me assim uma crise xenófoba de portugas, e só me apetece estar deitada na praia e não perceber nada do que ouço à minha volta. Nem duas italianas (bem aviadas, por sinal) a rirem perdidamente com algo que desconheço, ou o mal disposto alemão que rosna algo semelhante a ter trilhado o tomate direito nos calções…


Como?
A não ser que tenha crianças que dormem no carro a viagem toda, esqueça o carro! A minha tem a capacidade de achar que em 5 minutos se fazem 600km! Normalmente pergunta se já chegamos ao Algarve, estamos nós ainda a passar a ponte da Arrábida! Há já algum tempo que o meu carro tem direito a férias (coitado, já derrete tanto pneu durante o ano...). Por isso, avião... sempre! Claro que é preciso estar preparado para longas travessias nas portas de embarque, crianças a afinar as gargantas em cima das malas, ou até mandarem o nosso avião para Ponta Delgada, por engano... Pois é... tive que esperar pelo próximo avião como se estivesse no apeadeiro do Metro. Dou graças por não me ter ralado muito com a fila prioritária, pois bem podia ter estado dentro duma manga de acesso à pista a derreter a banhoca sem qualquer ventilação...
Como prémio de consolação, o passageiro da frente deitava um odor a cebola choca dos sovacos, que quase me fez mostrar aos outros o que tinha almoçado naquele dia...
20 minutos de tortura (no ano passado foram 3 horas, por isso, não posso dizer que foi assim uma tortura muito grande...), e lá chega o meu avião que me levou a mim e à minha prole direitinhos a Tenerife.
Durante o voo reinava a incerteza do paradeiro das nossas malas que eu imaginava terem rumado até aos Açores... Já sonhava com um guarda-roupa novinho em folha... que ia ter que comprar... Depois veio a desilusão, quando as vi, sãs e salvas, a serem cuspidas a toda a força para a plataforma giratória... Bom, tirando um rasgão e uma roda partida, pode dizer-se que chegaram sãs e salvas...
Shuttle rumo ao hotel, e está no papo, pensei eu. Não... não esteve... Como contar até 5 é matematicamente muito difícil, o nosso shuttle encheu, e nós ficamos a ver navios, que é como quem diz, camionetas, táxis, e outros veículos que se riam para nós, dizendo: "agora vão ter que sofrer!"
Finalmente, o próximo shuttle chegou, e nós enfiamo-nos lá dentro como se não houvesse amanhã. Mais uma vez o problema do numero 5 (esta gente não sabe contar????)... e foi a vez de 5 desgraçadinhos ingleses ficarem a ver navios... Ninguém disse que a vida é justa, my friends! Daqui já não me levanto! Felizmente a noite acabou bem, com um belo jantar no Hotel. Os próximos dias foram um árduo treino ao estado de Nirvana: comer, sol e dormir, comer, sol e dormir... comer, sol e dormir... uff! É tão difícil estar de férias...
Quando?
Quando quiser, puder ou lhe apetecer. Se só tem o mês de Agosto, já sabe que a carteira emagrece mais depressa (por falar nisso, na outra vida vou querer nascer Russa! Lindas, altas e ricas! Olha ali as minorcas... devem pensar elas da maioria das europeias! Raios partam aqueles metro e meio de pares de pernas! Ali perto do par de "Matrioskas" já eu acabei... e nem me adianta fazer batota em bicos de pés... não tenho hipótese...). Continuando, tem menos espaço na praia, e filas maiores nos restaurantes. Muitos miúdos, choradeira, manifestações de ranho na piscina (que é uma coisa que me faz nadar bem depressa), mas ainda assim, gente, movimento e animação... Setembro, com a criançada na escola, vêm os reformados, os casalinhos com bebés de fralda que ainda fazem longas sestas na piscina, e durante o jantar... (que saudades desses tempos...), e tudo parece em paz... é só respirar fundo na espreguiçadeira e tentar disfrutar daquele silêncio... Ok, admito, ao final de 30 minutos, já sentia falta da azáfama de Agosto... Quando se apanha Agosto e Setembro nas mesmas férias, é como ter ido para dois sítios diferentes, em alturas diferentes... é capaz de ter as suas vantagens... pensei...
raviolicomqueijo.blogspot.pt
Foto de Ravioli com queijo
Porquê?
Porque vamos de férias se chegamos mais cansados? Simplesmente porque sim, porque adoramos que nos "mimem" o dia todo, porque queremos sentir o cansaço do ócio... porque queremos ficar furiosos no regresso ao constatar que engordamos 3 Kg durante as férias, armazenados arrogantemente na nossa cintura (como se atrevem????)... porque queremos estupidificar ao não fazer absolutamente nada! Ir de férias é dizer ao cérebro para entrar em morte cerebral. Começamos a ficar lerdos e a rir dos absurdos que nos saem da boca, como a gaivota que nada muito alto, ou calçar os peixes em vez dos chinelos (nem vos conto as piores, senão ainda me mandam internar)...
12 dias a construir a paz, para se desmoronar em algumas horas... a máquina da roupa a fazer 3 turnos, e a minha lavandaria a assemelhar-se ao Monte Evereste... aaaggghhhhhh! Odeio ir de férias! (Estava a brincar! Voltava já para a Ilha...)
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