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09/09/2015

Carta de protesto! - (Crónica # 28)





Queridos adultos,

Queria dizer que nós não somos crescidos como vocês. 

Por isso tenho


alguns protestos a fazer:


Nós não queremos ter muita coisa para fazer.

Não nos arranjem tantas


 tarefas e atividades e coisas que dizem por aí que 

nos torna mais

 inteligentes. Não nos comprem presentes, a menos 

que seja para brincarmos juntos. 

Não nos obriguem a comer peixe, 

porque o pai


 também não come sopa e a mãe não gosta de brócolos 


cozidos. 


Não nos obriguem a fazer fichas nas férias 

porque vocês nas férias também não fazem nenhum! 


Não se preocupem que não esquecemos o que

 aprendemos! Não comemos assim tanto queijo! 


Eu gosto da mamã com


 olheiras e restos de Cerelac colado no cabelo – é 


sinal que cuida de


mim horas a fio. Peço desculpa por tirar macacos do 


nariz mas vejo 


tanta gente a fazê-lo que não percebo porque a 

avó diz 

que é porcaria. 


Fico zangada com facilidade, mas nisso, acho que os 

adultos me 

ganham. Não sei porque só posso comer uma goma, se 


apanhei o pai a

 comer bolachas às escondidas e a mãe a lamber o dedo 


cheio de Nutella diretamente do frasco. 

Não percebo porque tenho 

que me despachar no 

banho, quando a mãe demora uma eternidade 


(aqueles frascos todos servem para quê?)

Ah, e não me venham com a história de não poder 

jogar joguinhos no tablet à mesa, porque o avô joga 

sudoku no telemóvel

 na casa-de-banho

 (diz que tem prisão de cócó, ou lá o que é…).


E é isto!
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