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17/08/2015

Pecados "À Chinesa" (Crónica # 25)

Esta semana estive numa das maiores inaugurações de lojas dos chineses, a que devo ter assistido nos últimos tempos.
 
Não, não recebi nenhum convite formal (em plástico) mas resolvi aparecer à mesma.
 
Os decibéis das colunas à porta quase me provocaram uma perfuração irreversível nos tímpanos, mas lá sobrevivi à passagem, soleira a dentro. Por momentos pensei em ir buscar o GPS ao carro, pois com tanto corredor, corria sérios riscos de não encontrar facilmente o caminho de volta. Isto de loja não tem nada - pensei. É mesmo um armazém XXL à moda Americana! Dezenas de corredores imaculados, com artigos perfeitamente alinhados - devem manter-se assim nas primeiras duas horas - pensei.
 
Passei rapidamente a vista ao teto, e espantem-se... todos os setores estavam identificados na perfeição (andam a copiar os hipermercados, os danadinhos!!!! Têm uma tendência para a cópia! Não sei, parece que lhes está no sangue...).
 
Nem sei bem o que lá fui fazer, mas já que lá estava, comecei a sapatilhar aqueles corredores, um a um. Constatei que aqui se vende tudo! Absolutamente tudo! Bom, só não vendem fraldas com cócó, porque aí entrava em concorrência direta com o aroma plastificado a que já nos habituaram.
 
Percebi que se houvesse uma catástrofe lá fora, conseguia perfeitamente sobreviver cá dentro...
 
Uma tenda, colchão e roupa de cama, garantiam o meu sono. Roupa, calçado e lingerie, permitiam que não andasse como o lá de cima me enviou. Se faltasse a luz, não faltavam velas e lanternas a pilhas. Caso o teto não resistisse à intempérie, tinha pelo menos dois corredores de materiais de construção. Quando a fome apertasse, aí estava lixada, porque só encontrei comida para o cão. Mas como em tempo de guerra não se limpam armas...
Também não avistei nenhuma casa de banho, mas como vi sanitas portáteis e toneladas de papel higiénico, tolhetes e afins, o assunto estava resolvido.
Nos momentos de maior solidão, dedicava-me a mudar a capa do meu telemóvel de 5 em 5 minutos, ou pintar as unhas dos pés, e ainda assim, conseguia não esgotar o stock tão cedo.
 
É curioso, como é obrigatório (por lei)  que os produtos estejam etiquetados em português, em qualquer superfície comercial, menos nas chinesas... se eu soubesse ler mandarim ou grego era feliz... em alguns artigos tive sérias dúvidas para que serviam... só o meu sexto sentido me safaria!
 
Eu não compro nos chineses. Eu não sou dessas! Eu não  contribuo para a ruína do comércio europeu! Eles até colocam o símbolo CE (Comunidade Europeia) nos artigos, mas desde que descobri que significa "China Export", ando a tomar comprimidos para a azia!
 
A música lá fora continuava aos berros, e através da montra consegui avistar 4 adultos aos pinotes no insuflável da entrada, apesar do aviso da idade máxima ser 10 anos! Há cérebros que realmente fazem a primeira migração e nunca mais voltam! - confessei eu, aos meus botões, abanando a cabeça.
 
Quando voltei à terra, dei por mim a entregar uma nota de 20 euros ao olhos em bico da caixa registadora. Dois vestidos de praia. Ainda disse que queria saco, já a contar com os 10 cêntimos extra, mas eram grátis. Mais uma curiosidade relativamente  aos chineses.
Peculiaridades que adoraria perceber...  
 
Já do lado de fora, olhei para dentro do saco, pior que Madalena arrependida... Culpada! Admite! Tu compraste! Tu compraste! Raio da pulga da consciência a buzinar-me o ouvido!
 
"Perdoai-me senhor, que eu pequei...". Ainda pensei em devolver tudo, mas eles nem sequer me íam "devoluir o dineiro".

raviolicomqueijo.blogspot.pt
 
Agora é viver em pecado com os meus vestidinhos de praia...
 
 
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