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27/05/2015

Se pudesse, contava de outra forma... (Crónica #18)

Olho à minha volta e não gosto do que vejo.

Escravos. Vejo escravos e não sei se gosto. Escravos dum capitalismo sem retorno. Duma miopia coletiva! Não sei se gosto!
Desejamos o que não precisamos, vamos a sítios que não gostamos, somos cada vez menos porque podíamos ser mais! Dedicamos a nossa alma aos louros dos outros, sentimos emoções que não são as nossas, pois as massas têm mais força! Damos a quem menos precisa. Damos as horas ao trabalho e deixamos os minutos para os nossos filhos. Escolhemos assim.  Dizem que somos cada vez melhores pais. Gastamos as nossas horas para lhes comprar o que nos minutos que lhes concedemos, eles aceitam de graça! Um abraço que não arrumam na prateleira... está tudo errado... tudo ao contrário! Estamos míopes!
O Jogging passa por mim... a correr... com tanto esforço e nenhuma paixão! Ė a desalma da aceitação!
Bebo o meu café. Folheio uma revista. Páginas e páginas de sorrisos, de vidas de sonho... alguém reparou nos olhos tristes por trás da maquilhagem? Ou no abraço terno para a foto que há noite espanca ou maltrata?

Acabo o café. A praia está cheia! Corpos doirados que sem pudor se exibem com alegria, paredes meias com a vergonha de outros que, numa inglória obsessão se entregam à privação da comida... Nunca somos o suficiente, nunca estamos bem, nunca queremos ser nós próprios.  Queremos ser aquele ou aquela que corresponde ao nosso ideal. Somos míopes! Estamos tão errados!
Na televisão maior que a parede, o discurso afamado do diabo que há muito vendeu a sua alma... em troca do poder, da aceitação.
Ao fundo uma criança. Chora por um gelado que lhe é negado por uns tostões, onde em cima da mesa já descansam três cervejas vazias e um maço de tabaco. Está tudo errado!
Tornamo-nos ricos. Ricos em egoísmo, egocentrismo, em apatia. Nunca o nosso umbigo foi tão olhado, tão contemplado.
Não sei se gosto. Se pudesse contava de outra forma.
Matamos em nome de Deus. Matamos por amor. Lemos manchetes em que crianças matam o irmão, a avó, porque acreditam na imortalidade como se fossemos desenhos animados. Ostracizamos alunos nas escolas, tornamo-nos os anti-colegas. Está tudo errado!
raviolicomqueijo.blogspot.ptNão gosto de convenções. 
Não gosto de marionetas e androides.
Não gosto da desalma.
Não gosto de futilidades e hipocrisias.
Não gosto de políticas religiosas nem de religiões políticas. 
Não gosto do umbigo idolatrado.
Não gosto do que vejo...
Se pudesse, contava de outra forma...
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