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12/05/2015

Prémios Razzie do atendimento! (Crónica #16)

Estar no atendimento ao público, não é realmente para todos! 

Existem situações surreais, que me fazem contar até 10, para não me rir…! O problema é que nunca resulta, pois tenho alguma dificuldade em conter o riso… Davam verdadeiros filmes, daqueles de mau gosto...

No outro dia, estava eu a escolher o cardápio do jantar num restaurante de ambiente familiar, quando o empregado de mesa faz a pergunta da praxe:

- E para beber, o que vai ser?

O problema foi quando resolveu disparar uma segunda pergunta…


- O vinho da casa ou alguma coisa que preste?

Felizmente a minha companhia, que já conhece o meu problema com o riso, respondeu por mim, pois eu tive que me agarrar ao telemóvel com unhas e dentes para não me desmanchar ali mesmo… Adjetivos vínicos não eram o seu forte!
Razzie com ele!


Num destes fins de semana, precisei de comprar uma fruta à pressa para levar para o almoço e parei na primeira "barracó-frutaria" que me apareceu à frente. Tinha ar de ter 2 clientes por dia, no máximo! Cá fora ouviam-se decibéis consideráveis de Anselmo Ralph.  A afixação de preços era do mais moderno que há – restos de cartão de caixas de papel higiénico, que misturavam os dizeres Renova, com 1,20 €/ Kilo.

- Boa tarde – disse eu.

- Boa tarde. O que vai ser dona? – perguntou um rapazote de boné ao lado e consideravelmente furado por todos os lados…

- Queria uma manga. Boa, para comer agora ao almoço. Pode ser esta – apontando para uma que me parecia madura.

- Xi… óh dona, isso nem p’rá agora nem p’ra daqui a uma semana! Isso nunca mais vai lá! Num balem nenhum!

Lá vim eu para casa com um saco de uvas sem graínha, e a pensar na quantidade de fruta que aquela criatura devia vender, com aquela sinceridade toda.

Há realmente quem não seja talhado para atender. Razzie com ele!

No mês passado, numa grande superfície, estava eu de ticket em punho a aguardar impacientemente a minha vez.

 - 63!

Ah, finalmente!

- Sou eu! – disse. Boa tarde (não respondeu)! Queria um peixe para assar. Este aqui, é bom? – questionei, apontando para um peixote avermelhado do qual não sabia o nome.

A senhora, de faces bem coradas, lançou-me uma boca de raia, que entendi como um não…

 - Então se calhar levo uma dourada grande.

Continuando neste monólogo frustrante, a senhora arregalou-me os olhos, meio parecidos com o tamboril que tinha à minha frente, e abanou com a cabeça.

Ok, a dourada também não, pensei.

- Então o que é que aconselha?

- Volte amanhã. 64! – chamou.

Conversadora... – pensei. Um encanto! Bom, pelo menos não trouxe peixe com prazo de validade vencido no século passado… Quando já estava no corredor das bolachas, ainda me vinha à cabeça a imagem daqueles olhos de tamboril… ainda vou sonhar com um peixe falante… com gorro branco e galochas. Razzie com ela!

Recordo-me doutro momento digno dum prémio Razzie, que ocorreu num restaurante, bem mais sofisticado que o primeiro… Qual Master em hotelaria, qual quê!
Tinha pedido lulas recheadas, mas como não descrevia na carta o conteúdo, decidi esperar pelo fator surpresa…
Vieram os pratos para a mesa. Corto o primeiro pedaço de lula, na expectativa de ver de lá a sair um preparado dos deuses, mas não vi sair de lá nada que se assemelhasse a recheio. Uma ligeira pasta acastanhada talvez, de origem desconhecida, que não me atrevi a experimentar no palato.
Chamei o empregado.

- Desculpe, mas era suposto a lula ser recheada… Sabe-me dizer o que tem dentro? – mostrando-lhe o interior do pobre animal.

- Recheio... - respondeu o empregado com toda a naturalidade do mundo...


 - Sim, mas é de quê? - tentei eu saber...

- Ai isso não sei. Tenho que perguntar ao cozinheiro - mantendo-se  em estátuta ao meu lado.

- E pode ir perguntar? 

Aguardei uns minutos, e as lulas a ficarem frias e nada... ah... finalmente insurge-se na sala o iluminado!!!

- O chefe manda dizer que o recheio acabou.

- Então e isto é o QUÊ? - aquilo já me estava a chatear!

- Ai isso não sei. Vou perguntar.

E lá foi ele de novo à cozinha. Quando voltou, dirigiu-se-me com extrema serenidade e disse:

- As lulas forma recheadas com o intestino das mesmas.

Depois de me terem dado 5 enfartes, 6 AVC'S e 3 ataques epiléticos, lá mandei o prato para trás e pedi um bife grelhado, cujo risco de trazer com ele vísceras impróprias era nulo!

Razzie com ele! E este sim, foi o Razzie-mor do atendimento!

Só me saem duques!

Beijinhos da Ravioli com queijo! Y

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