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05/05/2015

Não podias ser um bocadinho menos sincera? (Crónica #14)



Ídolos, Factor X, Achas que sabes dançar… e mais um sem número de achas e sabes e até mostras o que vales, têm vindo a impor-se nas nossas telas, e parece que vieram para ficar.


Sempre são uma boa forma de mostrar o talento perdido por aí, ou a falta dele… e, mil vezes isso aos reality shows de mono-neurónios que pavoneiam silicones, bíceps e tríceps e que presidem a verdadeiros fóruns de atentados à inteligência!


Mas o que me traz aqui, é mesmo o efeito que estes programas têm na dinâmica mãe e filha, e sobretudo, na minha auto-estima!




- Vamos brincar?

- Vamos filha, a quê? – já a temer a resposta.

- Aos júris!

E pronto! Brincar aos júris, é recriar um programa mix, onde temos que cantar e dançar. São duas provas, e a apreciação do júri!

Isto funciona à vez, mas a minha pipoca é sempre a primeira a fazer de júri.

Quando sou eu, ela é sempre a melhor do mundo, claro!

Mas… let the show begin!

E lá entro eu. Escolho uma música MTV, MCM, ou outro qualquer, e apresento-me. Ela tira anotações. Começo a dançar ao som da música. Estico-me o mais que posso, dou piruetas, faço a espargata, não, não, isso era em sonhos. Em vez disso faço o melhor que posso, para não desiludir a pipoca, tento com dificuldade acompanhar o ritmo, misturo contemporâneo, hip-hop e salsa, e quando ela levanta a mão a dizer – Chega! – aguardo ansiosamente pela misericordiosa apreciação dela (e a arfar como um cão esganado…).

Dançar


- Eu acho que não sabes dançar. Falta-te ritmo. Ris-te demais, isto é para levar a sério. Vi aí umas pernas no ar, mas isso não chega. Danças desde os 7 anos? Não parece! Para mim não passas. Adeus!

Alguma misericórdia, pf? Podia pelo menos ser um bocadinho menos sincera…! 

Com o ego rasteirinho, lá me preparo para a segunda prova.

Escolho outra música, cuja letra me seja familiar. Começo. Desta vez não a posso desiludir! Ela tira anotações. Não esboça um único sorriso. Eu lá balbucio o refrão, com o meu rouxinol interior (que nunca voltou da sua primeira migração), e agarro-me ao microfone como se não houvesse amanhã. Deve ser um verdadeiro espectáculo de horror, a avaliar pela cara dela. Lá levanta o braço – Chega!

Cantar; rouxinol

Lá vem a chacina…

- Não cantas lá muito bem, e às vezes trocas as palavras. Não me convenceste! Podes ir embora. Adeus!

Eu talvez saiba que danço como uma gazela electrocutada, e talvez saiba que canto como o tal rouxinol… mas não podia ser um bocadinho menos sincera?

Sempre evitava que o meu ego andasse neste momento a limpar o chão a pano!

Porque é que estes programas existem?

Beijinhos da Ravioli com queijo! Y

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