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17/04/2015

Pérolas da Baixa - Entschuldigung, … do you speak … français? (Crónica #6)

Bolhão
Hoje estou numa de Baixa… não, não é a Baixa pela Caixa, estou mesmo lá no centro, bem no coração da cidade.
Parei numa montra, olho gordo em tudo quanto é sapato… tão giros! Virei-me. Uau! Adoro este edifício. Vou entrar. Azáfama total. Cheira a peixe, cheira a coentros, cheira a chão bem “amukinado”…

Alerta interessante! Pus logo a minha orelha de Elfo em pé, e fingi interesse na promoção das gerbérias…

Reparo num casal. Quais 1,90m de altura, qualquer quê! Pareciam as torres gémeas (que Deus as tenha), panamás azuis na cabeça e sardas por todos os lados. Olhavam para um polvo espojado num manto de gelo, como um bébé olha para o seu primeiro cócó no pote.

- Is this fish?

- É, minha jóia. É muito fixe( <), à lagareiro, assado na brasa, à Zé do pipo… é do melhor!

Incrédulos e sardentos, lá seguiram eles Bolhão a fora, com os seus panamás azuis a perder de vista…
Saí. Estou cheia de sede. Virei à direita, depois à esquerda, depois desci, tornei a subir… uff, já me doem as pernas. Sentei-me numa esplanada e esperei que me viessem atender.

- Italiana, espanhola?

- (já estou habituada) … Portuguesa, mesmo. Queria um café e uma água com gás, pf.

Olho para o meu relógio. São 11:30h. Nas minhas costas senti que chegou um casal com um carrinho de bebé, Franceses, Belgas, Suíços, não faço ideia. Falavam francês. “Avecs” não eram, que uma pessoa reconhece-os ao longe! Queriam uma mesa à sombra. O quê? Já vão almoçar? O marido queria peixe e olhava para a banca em exposição, que orgulhosamente exibia um cartaz em papel cartonado (que mais parecia ter percorrido a 1ª e a 2ª guerra mundial) a dizer “fresh off the day” (vindos da Grécia há 4 dias, mas pronto, gostos não se discutem). A rapariga, que não devia ser grande apreciadora de peixe perguntou ao empregado poliglota que me veio servir:

 - Ça c’est Morue?

 Orelha de Elfo em pé, e pensei – deixa cá ver a explicação que lhe dão! O meu café ainda não tinha chegado… Muito atrapalhado ele lá enrola um “revuelto” de palavras e diz:

 - Oui, morriu na No-rue-ga, não é sushi c’est co-zi-né… avec pi-men-tos. Manger tout lê trois?

Irritada, virei-me para trás e perguntei se o meu café ía demorar muito e que a água escusava de trazer. Ele acenou com a cabeça e foi a reclamar da vida para dentro do restaurante. Chegou o meu café, trazido por uma mulatinha muito simpática, que após poisá-lo na minha mesa e ter recebido os 0,70 cêntimos, atendeu gentilmente a franco-família, que queria bacalhau, num francês perfeito – ela era do Senegal, pelo que percebi. Segui caminho e fui espreitar mais umas montras.

A minha orelha de Elfo tem um problema… radar para as pérolas das Baixa.

Enquanto contemplo uns shorts bordados, e equaciono a hipótese de alguma das minhas miudezas poder ficar ao despudor, está uma vendedora de collants encostada a um poste. Berra com todas as amígdalas e glotes, que aquela boca possa ter, que 3 pares são 5 euros! É abordada por um casalinho sénior que lhe diz:

- Entschuldigung, english, deutsch?

- Xiiiii filha, eu de alemon só a Merkel e aquela cena das aftasardemeashemorroidasidem. Óh menina num pode ajudar aqui estes sinhores?

Quem eu? Lá tive eu que abandonar os meus shorts e explicar aos senhores que a praça de táxis era mesmo ali em frente.


Beijinhos da Ravioli com queijo! Y

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