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16/04/2015

As vozes da minha infância (Crónica #5)


Hoje o tema é a voz, a voz na rádio, a voz nos jornais, a voz na TV, as Associações da voz, a saúde da voz, tudo em prol dessa bela funcionalidade que todos nós temos, nuns melhor do que noutros, noutros ainda “calada”, nas suas mais diversas formas.

Então lá fui eu remexer no “Baú dos meus pirolitos”, e vi que houve vozes que nunca mais esqueci...

A primeira que me apareceu no “Baú” foi a de Vasco Granja. Esse senhor de ar tão simpático, que conheci já de cabelitos grisalhos, e que me fazia companhia quase todos os dias (às vezes lá ficava de castigo e a minha mãe não me deixava ver televisão). As suas narrativas do “Cinema de Animação” colaram ao ecrã da TV, durante cerca de 16 anos, miúdos e graúdos. E não se podia perder pitada, pois não havia Box que gravasse automaticamente coisíssima nenhuma, nem “ora põe lá isso 5 minutos para trás que perdi a primeira parte…”. Muitos dos autores tinham nomes estranhos que a minha memória infantil não retinha, mas o Dartacão, a Abelha Maia, o Bocas, a Árvore dos Patafúrdios , Os amigos de Gaspar, e o seu adorável manjerico Yo Toyo yo soyo…, esses sim ficaram na minha memória para sempre. O Sports Billy não! Esse, era para meninos! 

Dartacão
Os eternos namorados Dartacão e Julieta


 Foi pela voz desse senhor, que  eu sonhava encontrar um        Dartacão na minha vida, e ter  um manjerico falante! 
 Pelo  menos o primeiro  consegui!
 Obrigada, Vasco  Granja!



Continuando pelo meu “Baú”, comecei a ouvir “E esta, hein?”… ah, esse Fernando Pessa! Quando se reformou, já nonagenário, tinha eu 18 aninhos! O que sabia eu da vida? Talvez pouco, mas numa altura em que o telejornal era para gente crescida, as reportagens do Fernando Pessa não perdia eu! Grande homem esse! Recrutado para a RTP com 74 anos de idade, é de fazer afronta ao mito do to old to be recruted. Com um humor único e uma seriedade e rigor no “bom português”, eloquentemente nos ia relatando os factos da vida, muitos deles insólitos, mas sempre com um toque à “Pessa”.

Mais a fundo no “Baú”, começo a ouvir:

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.

E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.

Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

Então,

Bate, bate coração!

Louco, louco de ilusão!

A idade assim não tem valor.

Crescer,

Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.”

A voz de Carlos Paião ficou imortalizada nas mentes e nos corações de todos, e eu não fui excepção. Apesar de ter falecido quando eu tinha 10 anos, a injustiça da sua prematura partida, tornou aquele verão de 88 muito triste para todos nós. Durante algum tempo, as minhas perguntas sobre o mito do “Carlos Paião  - Enterrado vivo!!!”, eram tabú em minha casa, mas como boa menina, lá fui ouvindo sempre as suas músicas que me enchiam o coração. Durante décadas, o primeiro abraço, o primeiro beijo (não espera… esse foi em 85, na primavera, por volta da 3ª classe, um belo british blue eyes boy, que não falava patavina de português), os primeiros namorados, os primeiros bailes, todos eles tinham a presença e a voz de Carlos Paião.


Lápis viarco
Lápis Viarco com Tabuada
Continuando na década de 80, e porque o fundo do “Baú” está a chegar ao fim, lembrei-me dos Wham! Óh meus amigos, aquilo foi metros e metros de fio de cassette enroladinha com lápis Viarco (daqueles que tinham impressa a tabuada e borracha avermelhada na ponta, lembram-se?), sempre a bombar!

Wake Me Up Before You Go Go, Careless Whisper, Last Christmas, Freedom, entre tantos outros. A voz do George Michael era magnífica, e já agora ele era um pão! Mas um pão daqueles bem aviados! Tadinha, sabia lá eu que ele era mais Bolos, aviados em casas-de-banho…

Beijinhos da Ravioli com queijo! Y
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