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17/03/2017

Sopa de Garoupa e Costela de Boi no Bafo. É servido?

Há 40 anos que a terra de Refontoura, em Felgueiras, tem o dom de mimar o palato das gentes de todo o país.

Onde? No Restaurante Brasão, gerido com todo o amor e dedicação pelo Chefe António Carvalho.

Prémios, prémios e mais prémios, aguçaram-me a vontade de ir conferir todo este reconhecimento.

E posso começar pelo fim e dizer que vale todos os prémios!

GPS em punho, lá fui eu experimentar o Restaurante Brasão!

Confesso que ía à espera dum espaço completamente rústico, mas acabei por apanhar a semana em que tinham aberto com nova decoração. Muito minimalista - pensei. Tudo branco, e madeira de pinho? Onde estão as madeiras escuras? Fiquei desiludida. Queria rusticidade e apanhei modernismo. Em conversa com o Chefe, disse-lhe que faltava um toque rústico ao espaço, e percebi que faltava acabar uma série de apontamentos, nomeadamente, a colocação de uma salamandra, a garrafeira, e os ditos prémios na parede, mencionando-os com uma humildade que não estava à espera.

Mas vamos ao palato. Na mesa, estavam já colocados uns pratinhos de presunto e de queijo. Confesso que melhoraria a qualidade de ambos, se o restaurante fosse meu, pois se há coisa em que sou exigente é nestes dois pontos...

Presunto da Casa
Eu sabia exatamente ao que ía, e pedi exatamente os dois pratos mais premiados: a sopa de Garoupa e a costela de Boi no Bafo (o Bafo é um forno, onde a dita costela fica a assar lentamente por 7h)!

Foi-nos explicado que a Sopa de Garoupa é considerada uma refeição, e como ainda queria ter barriga para tudo o resto, apenas provei como se de uma entrada se tratasse...

E volto a fazer os 50 Km as vezes que me apetecer, só para comer esta sopa! Simplesmente divinal! Feita na altura, demora um pouco a sua preparação, mas vale a espera!

Sopa de Garoupa

Com um sabor maravilhoso, e o peixe então... de uma frescura irrepreensível. Potente, intensa de sabor, e enriquecida com massa e ervas frescas, a compor o prato na perfeição!

Depois, a "tal" Costela de Boi no Bafo...

Costela de Boi no "Bafo"

As 7h a assar dão-lhe uma maciez e tenrura, que quase se come à colher...

Costela de Boi no "Bafo"

Muito saborosa também, e a merecer a volta.

De uma maneira geral, à minha volta, o bacalhau no pão parecia ser o eleito da noite. Não provei. Fica para a próxima visita!

E as sobremesas? Outro ponto a favor. Verdadeiramente caseiras! Tive a oportunidade de provar a torta de laranja - um verdadeiro atentado à linha, mas deliciosa - o bolo de mousse de chocolate e o bolo de bolacha!

Da história fotográfica só reza a torta de laranja, porque como fiquei à conversa com o Chefe António Carvalho, que me foi mostrar a garrafeira noutra sala, quando cheguei à mesa, os meus queridos companheiros comensais já tinham devorado os bolos, deixando apenas uma garfada do bolo de bolacha e outra garfada de bolo de chocolate para eu comer... já nenhuma bela fotografia se conseguia retirar de tal cenário dantesco nos pratos de sobremesa que aguardavam no meu lugar, o último suspiro...

Torta de Laranja

Depois de ter sido tão bem recebida, tanto pelo chefe, como pelas funcionárias, onde tudo é explicado, e até as sobremesas dadas a provar antes da escolha (eu não disse, mas provei-as todas noutra sala, antes de chegar à mesa... - "Obrigada Rita Isabel pela tua simpatia!"), terminámos a refeição com um jarro de sangria de espumante, com um sabor diferente do habitual...

Sangria de Espumante


Ainda perdemos uns minutos a tentar decifrar licores, vinhos, ou que ingredientes teria, e eu acertei!!! Yei! Parabéns à Ravioli! Mas não posso dizer... é segredo!

A melhor Sangria da Casa
Resta-me dizer que voltarei outras vezes, e que a Sopa de Garoupa, será a minha eleita de cada vez que voltar!

Obrigada pelo carinho, pela boa comida e pela paciência (fomos os últimos clientes a sair...)!



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14/03/2017

A paz é proporcional ao que tens que aturar na vida...

Por vezes tudo parece acontecer ao mesmo tempo. Não te dá tempo para respirar. Para reagir ao primeiro quando vives já o segundo, e o terceiro, e o quarto...

Vives uma corrida desenfreada, pela animação, pelo poder, pela ambição. Pelo querer viver a vida, atropelando os outros.

Sofres as consequências dos outros, vives as suas vidas e eles a tua. Absorves cheiros, risos, e lágrimas. Vês o sofrimento, e viras a cara, mesmo que agudizes por dentro. Só queres sentir o bom. O mau não serve mais. É o que vês todos os dias.

Sentes o egoísmo a crescer em ti, pois o retorno nunca chega. Parece que a tua paz é o inferno dos outros.  Que o teu bom é o ciúme e a inveja que te atiram como uma catapulta.

Aprendes a ver a preto e branco. Lá no meio vês duas ou três cores. Isso sim vale a pena acabar a pintura. Investir. Dar mais de ti.

Sentes as escolhas erradas dos outros, como uma epidemia que inalas sem escolha. Ainda te culpam. É mais fácil. É a paz pelo inferno dos outros.

Paciência, resiliência, altruísmo... munes-te do que é preciso.

E segues amando, rindo e chorando. Servindo de escudo para os erros dos outros. Fazes-te mais forte. Caminhas sem medo, mesmo que o asfalto queime.

Enfrentas as pedras e os aluimentos sem aviso. Ergues-te novamente. Sempre mais forte.

A cada tempestade, novo renascer. Vens nova, com uma nova visão do mundo.

Ficas imune. Escolhes apenas viver. O teu elmo arma em ricochete todas as balas, setas e espinhos. Já chega! Não mais!

Eu escolho quem quero pintar, eu escolho a paz.

Ir atrás da paz. Também cansa. Mas cansa mais a infelicidade que outros querem fazer a tua. Misturando vidas e caminhos que nada têm a ver com o teu.

Esta dimensão é mundana, cruel e tem sede. Nem todos têm sede do bem. Há quem se canse. Que viva numa dimensão espiritual pois sente que não tem lugar na natureza humana. Há quem seja monge, É a escolha da paz.


Não desisto! Vou à procura da paz, na dimensão mundana. Não desisto do ser humano. Não desisto de mim, nem dos outros. Daqueles que veem o que eu vejo, que sentem o que eu sinto, que cheiram como eu, a magia da vida. Eu sou assim. Sonhadora, intensa, inteira. Aqueles que caminham comigo, são quem me faz feliz. Não preciso de mais.



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02/03/2017

Casa Aleixo - História, Tradição e bem comer!

Este é um dos nomes referência da cidade do Porto, e talvez muito poucos ainda não conheçam esta casa sexagenária, que se situa numa esquina a poucos metros da Estação de Campanhã.

Famosa pelos filetes de polvo, tem outras iguarias que merecem a pena ser experimentadas. E foi esse o meu objetivo por estes dias. Fui lá jantar, e talvez a minha mesa tenha sido das poucas a ter a ousadia de pedir tudo, menos filetes de polvo (com arroz do mesmo). E digo-vos, não saí nada desiludida! Antes pelo contrário! Comi tanto e tão bem, que devia ter ido dar uma corridinha atrás do comboio (a ver se o apanhava)... para derreter tudo de bom que pude saborear!

O espaço é antigo, rústico, 100% tradicional, mas tem algumas particularidades curiosas! Espalhado pelas paredes podem ler-se placas de madeira com inscrições curiosas, como Sala de Torturas, Sala de Operações, Laboratório (a cozinha), Farmácia (a garrafeira), e por aí fora, que dão um ar cómico e deveras interessante!

Costuma dizer-se que é na Farmácia
que se vendem as "Boas Pomadas"...

Ao mesmo tempo, vários prémios emoldurados, dão a garantia que se trata realmente duma cozinha de referência, em termos de qualidade e sabor! No centro da sala principal, a foto do fundador (Pai Ramiro), mistura-se com a de outros comensais.

Mas vamos jantar? Vamos...

Para começar, o mais simples dos couverts mas de uma qualidade irrepreensível! Azeite gourmet, azeitonas e pão estaladiço para forrar o estômago!

A melhor das combinações... pão e azeite!

Como pratos principais, Ela (Eu) e Ele (o compincha da vida) pediram uma posta de vitela maronesa com manteiga de ervas, e uma açorda de camarão com tigre grelhado.

A carne estava saborosa, e a manteiga é derretida diretamente na mesa, com um pequeno maçarico. Esta parte não correu muito bem (o maçarico estava armado em parvo e teimava em não funcionar), mas até nos rimos um pouco com a situação - Eu, Ele, e o filho do Pai Ramiro - pois o que é preciso é boa disposição! À 4ª lá pegou e a manteiga começou a derreter por cima da carne, o que foi algo salivante para os meus olhinhos gulosos.

Até parecia o cão de Pavlov a salivar...

A açorda estava bem confecionada, mas confesso que o tamanho do camarão tigre ficou aquém da minha imaginação. Idealizei o Gulliver dos tigres mas veio o filho mais novo... (se calhar sou eu que tenho a mania das grandezas, mas se fosse eu, aumentava o animal de peso, pois os olhos também comem).

Anda Gulliver, faz-te homem como o teu pai!




Depois veio o nirvana...

Acho que é mesmo o ponto alto da Casa Aleixo! É que tem umas sobremesas de cair da cadeira!

Eu ía bem referenciada para a Aletria, mas não contente pedi a Mista (Rabanada c/ aletria), e digo-vos, é de chorar por mais!

Admito! Caí da cadeira...


Outra das sobremesas que pedimos (e foi das melhores que comi nos últimos tempos), foi o magnífico, magnânimo e estupidamente bom - El Rei o Sr. "Cheese Cake de Goiabada".


E depois de me levantar... caí da cadeira outra vez!

Aqui, toda a cozinha é caseira, e as sobremesas não são exceção!

O serviço é de uma eficiência surpreendente (talvez um bocadinho menos de rapidez ao jantar, não fizesse mal...), e o staff muito simpático.

Nem pense em simplesmente aparecer, ou vai ficar à espera! Reserve mesa, sempre! Até porque desengane-se se acha que por ser um restaurante tradicional só recebe gente do Porto. Muito procurado por turistas (dos que gostam de comer realmente bem), e por gente jovem também.
Bom apetite!

Tome Nota:
Casa Aleixo
Tel: 225370462




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